Risco operacional eleva procura por "plano B"


O servidor parou. A produção foi afetada porque um fornecedor essencial está enfrentado dificuldades. Um desastre natural interrompeu o fluxo de mercadorias. O principal executivo aceitou convite para trabalhar na concorrência. Nem todas as empresas têm à mão um plano B eficaz para minimizar eventuais efeitos negativos causados por essas situações e manter as atividades a pleno vapor. A partir do reconhecimento dessa carência, a corretora de seguros e resseguros e gerenciadora de riscos Marsh montou uma equipe especializada no serviço de plano de continuidade de negócios (BCM, do inglês Business Continuity Management) no fim de 2006. Dois anos mais tarde, a multinacional ampliou o time de consultores para atender a demanda crescente em todas as regiões do País e projeta para este ano crescimento superior a 350% na venda de "planos B", que contemplam análises de risco e identificação de impactos, programas de recuperação de desastres e de gerenciamento de crise e treinamento. Banco Real, Unibanco, Yamanha, Sadia, Nextel, Funcef, Postalis, Caterpillar, Volvo e Kraft são os principais clientes.


BCM x seguro
Os principais componentes de um processo de BCM são gestão de crise, que envolve estratégia de comunicação; resposta ao incidente, que prevê ações para minimizar danos a pessoas, meio ambiente e ao patrimônio da empresa; e proteção das finanças e da participação no mercado. Segundo Roberto Zegarra, esses pontos diferenciam o BCM de uma apólice de seguro. "Uma fábrica que pega fogo será indenizada se contar com uma apólice de seguro. Mas se ela demorar um ano para voltar a produzir, o seguro não garantirá a manutenção de seus clientes ou a recuperação de sua participação de mercado", explica. Zegarra pondera que não adianta formular um plano para duplicar uma operação afetada. "O foco é o core business: melhorar processos e não duplicá-los. A idéia é enxergar o que é crítico para tornar a empresa mais resiliente", acrescenta, mencionando o Princípio de Pareto, tese do economista italiano Alfredo Pareto que, ao analisar a distribuição da riqueza no mundo, constatou que para a grande parte dos fenômenos observados, 80% das consequências advém de 20% das causas.

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